A laringomalácia é a causa mais comum de ruído respiratório em bebês e responde pela maior parte dos casos de estridor no primeiro ano de vida. Trata-se do amolecimento das estruturas de sustentação da laringe, que colapsam durante a inspiração e produzem aquele som agudo que tanto assusta os pais.
Neste artigo você vai reconhecer os 5 sinais mais importantes, entender por que a laringomalácia acontece, como é feito o diagnóstico, quando é preciso tratar e qual a evolução esperada.
O que é a laringomalácia
A laringe do recém-nascido ainda é formada por cartilagens flexíveis. Quando a epiglote é alongada, quando as pregas ariepiglóticas são curtas ou quando o tônus da região é reduzido, essas estruturas são sugadas para dentro da via aérea a cada inspiração.
Esse colapso intermitente estreita a passagem do ar e gera o estridor inspiratório. A laringomalácia é, portanto, uma alteração dinâmica e funcional, e não um bloqueio fixo da via aérea, o que explica por que o ruído varia tanto ao longo do dia.
5 sinais de laringomalácia no bebê
1. Estridor inspiratório
É o sinal principal. Um som agudo, semelhante a um chiado ou miado, que aparece na entrada do ar. Costuma surgir nas primeiras semanas de vida, piora quando o bebê chora, mama, se agita ou fica deitado de barriga para cima, e melhora com o bebê de bruços ou de lado.
2. Piora durante a alimentação
Engasgos, pausas frequentes para respirar, tosse durante a mamada e cansaço antes de terminar são queixas típicas. A coordenação entre sugar, deglutir e respirar fica prejudicada.
3. Refluxo associado
A pressão negativa gerada pelo esforço respiratório favorece o retorno do conteúdo gástrico. Golfadas frequentes, irritabilidade após as mamadas e sinais de refluxo laringofaríngeo acompanham boa parte dos casos de laringomalácia.
4. Retrações respiratórias
Afundamento da região abaixo das costelas, entre as costelas ou na fúrcula esternal indica esforço aumentado para respirar e sinaliza gravidade maior.
5. Ganho de peso insuficiente
Quando o bebê gasta muita energia para respirar e mama pouco, a curva de crescimento desacelera. Esse é um dos critérios mais importantes para indicar tratamento cirúrgico.
Por que a laringomalácia acontece
A origem é multifatorial. Contribuem a imaturidade das cartilagens, alterações no tônus neuromuscular da laringe e a inflamação local provocada pelo refluxo. Prematuridade, síndromes genéticas e doenças neurológicas aumentam a chance de formas mais graves.
Vale destacar que a laringomalácia não é causada por algo que os pais tenham feito ou deixado de fazer durante a gestação, e não tem relação com a forma de amamentar.
Como é feito o diagnóstico
A suspeita nasce da história clínica e do exame físico, mas a confirmação exige visualização direta da laringe. A nasofibrolaringoscopia flexível é o exame padrão: feita no consultório, sem anestesia geral, com o bebê acordado, permite ver o colapso das estruturas em tempo real durante a respiração.
Esse exame também diferencia a laringomalácia de outras causas de estridor, como paralisia de prega vocal, cistos, hemangiomas e estenose laríngea. Em quadros graves ou atípicos, pode ser complementado por laringoscopia sob anestesia, avaliação da deglutição e polissonografia.
É importante diferenciar também de quadros infecciosos agudos, como a laringite, que surge de forma súbita e costuma vir acompanhada de febre e tosse rouca.
Tratamento da laringomalácia
Conduta expectante
Cerca de 80% a 90% dos bebês têm formas leves ou moderadas e não precisam de cirurgia. O acompanhamento inclui orientação postural, cuidados com a alimentação, controle do refluxo e reavaliações periódicas para monitorar peso e esforço respiratório.
Controle do refluxo
Medidas comportamentais, fracionamento das mamadas, posicionamento após alimentar e, quando indicado, medicação reduzem a inflamação laríngea e melhoram o estridor em muitos casos.
Supraglotoplastia
A cirurgia é reservada para as formas graves. Feita por via endoscópica, sem cortes externos, consiste em liberar as pregas ariepiglóticas encurtadas e remover excesso de mucosa que obstrui a entrada da laringe. É um procedimento rápido, com alta taxa de sucesso e recuperação em poucos dias.
As principais indicações de cirurgia na laringomalácia são: baixo ganho de peso apesar do suporte nutricional, apneia obstrutiva significativa, episódios de cianose, retrações intensas e necessidade de oxigênio.
Evolução e prognóstico
Na maioria dos bebês o estridor se intensifica até por volta dos 4 a 8 meses e depois regride progressivamente, com resolução espontânea entre 12 e 24 meses, à medida que a cartilagem enrijece e o tônus melhora.
Crianças com histórico de laringomalácia devem ser reavaliadas se apresentarem ronco persistente ou pausas respiratórias no sono mais tarde, já que existe associação com apneia do sono na infância.
Materiais sobre saúde da criança e sinais de alerta respiratórios estão disponíveis no portal da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Perguntas frequentes sobre laringomalácia
A laringomalácia é perigosa?
Na maioria dos casos é benigna e se resolve sozinha. As formas graves, com esforço respiratório importante e baixo ganho de peso, precisam de tratamento e acompanhamento próximo.
Meu bebê pode dormir de bruços por causa do estridor?
Não. A recomendação de dormir de barriga para cima permanece válida pelo risco de morte súbita. Ajustes de posicionamento devem ser orientados individualmente pelo pediatra e pelo otorrinolaringologista.
A laringomalácia atrapalha a fala no futuro?
Não. A alteração está na sustentação da laringe, e não nas pregas vocais, portanto não compromete o desenvolvimento da linguagem nem a qualidade da voz.
Quando devo levar meu bebê ao pronto-socorro?
Diante de coloração azulada nos lábios, pausas respiratórias, retrações intensas, recusa alimentar importante ou piora súbita do estridor.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Todo bebê com ruído respiratório persistente merece avaliação especializada, mesmo que esteja mamando bem. O diagnóstico correto da laringomalácia tranquiliza a família, afasta causas mais graves de estridor e define quem realmente precisa de tratamento.
Na Otorrino Sudoeste, a avaliação inclui nasofibrolaringoscopia adaptada para a faixa etária pediátrica. Agende a consulta do seu filho.