A candidíase orofaríngea é uma infecção fúngica da boca e garganta causada pelo fungo Candida albicans. Também conhecida como “sapinho” quando afeta a cavidade oral, é uma condição frequentemente tratada pelo otorrinolaringologista quando acomete a faringe e a laringe, podendo causar disfagia, rouquidão e dor ao engolir.
Segundo o otorrinolaringologista, a candidíase orofaríngea é mais comum em pacientes imunodeprimidos, usuários de corticosteroides inalatórios e portadores de refluxo laringofaríngeo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar a progressão da infecção.
O Que É Candidíase Orofaríngea?
A Candida é um fungo que normalmente habita a boca, garganta e trato digestivo sem causar problemas — é considerada parte da flora normal. A candidíase surge quando esse equilíbrio é rompido, permitindo a proliferação excessiva do fungo. Clinicamente, a candidíase orofaríngea se manifesta como placas brancas amanteigadas na mucosa da boca, língua, garganta e, em alguns casos, laringe.
5 Principais Causas da Candidíase Orofaríngea
1. Imunodepressão
A candidíase orofaríngea é uma das infecções oportunistas mais comuns em pacientes com o sistema imunológico comprometido. HIV/AIDS, quimioterapia, transplante de órgãos com uso de imunossupressores e uso prolongado de corticosteroides sistêmicos são as principais causas de imunodepressão que favorecem a infecção.
2. Uso de Corticosteroides Inalatórios
Pacientes com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) que utilizam corticosteroides inalatórios têm maior risco de candidíase orofaríngea. O medicamento deposita-se na mucosa oral e faríngea, suprimindo localmente as defesas imunológicas. A higiene bucal após o uso dos inaladores e o uso de espaçadores são medidas preventivas importantes.
3. Uso Prolongado de Antibióticos
O uso prolongado de antibióticos de largo espectro desequilibra a flora bacteriana normal da boca e faringe, permitindo a proliferação excessiva de fungos como a Candida. Essa é uma causa comum de candidíase em pacientes sem outros fatores de risco imunológico.
4. Diabetes Mellitus
O diabetes mellitus mal controlado cria um ambiente favorável ao crescimento fúngico, pois os níveis elevados de glicose na saliva e nas mucosas servem de substrato para os fungos. Pacientes diabéticos têm risco significativamente maior de candidíase orofaríngea recorrente.
5. Próteses Dentárias e Higiene Oral Deficiente
Próteses dentárias mal adaptadas ou higienizadas inadequadamente podem abrigar colônias de Candida e causar infecção localizada, chamada de estomatite protética. A higiene oral deficiente também favorece a proliferação fúngica.
Sintomas da Candidíase Orofaríngea
- Placas brancas cremosas: na língua, gengivas, mucosa oral e faringe, que sangram ao ser removidas
- Dor ou ardência na boca e garganta: desconforto ao falar e engolir
- Disfagia: dificuldade para engolir alimentos
- Rouquidão: quando a laringe está comprometida
- Gosto metálico ou amargo: alteração do paladar
Diagnóstico
O diagnóstico da candidíase orofaríngea é predominantemente clínico, baseado na identificação das placas brancas características pelo otorrinolaringologista. Quando há dúvidas diagnósticas ou em casos recorrentes, pode ser realizada a raspagem das placas para exame microscópico direto ou cultura fúngica. A laringoscopia pode ser indicada para avaliar o comprometimento da laringe e das estruturas mais profundas da faringe.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, casos de candidíase orofaríngea recorrentes ou refratárias ao tratamento devem ser investigados para possível imunodepressão subjacente.
Tratamento da Candidíase Orofaríngea
O tratamento é feito com antifúngicos. As opções incluem:
- Nistatina tópica: solução ou pastilhas para uso local na boca; eficaz nos casos leves
- Fluconazol oral: antifúngico sistêmico indicado nos casos moderados a graves ou quando o tratamento tópico falha
- Itraconazol: alternativa nos casos refratários ao fluconazol
Além do tratamento medicamentoso, é fundamental identificar e tratar os fatores predisponentes. Em pacientes usando corticosteroides inalatórios, orienta-se fazer bochechos com água após cada uso e considerar o uso de espaçadores. Em diabéticos, o controle glicêmico rigoroso é essencial para prevenir recorrências.