A hipertrofia de cornetos nasais é o aumento do tamanho das estruturas ósseas e mucosas do interior do nariz responsáveis por aquecer, umedecer e filtrar o ar inspirado. É uma das causas mais comuns de obstrução nasal crônica, afetando milhões de brasileiros e comprometendo a qualidade de vida e o sono.
Segundo o otorrinolaringologista, a hipertrofia de cornetos frequentemente está associada à rinite alérgica e ao desvio de septo nasal, e o tratamento de uma condição muitas vezes beneficia as demais.
O Que São os Cornetos Nasais?
Os cornetos nasais são estruturas em formato de conchas localizadas nas paredes laterais das fossas nasais. Existem três pares: inferior, médio e superior. O corneto inferior é o maior e o mais frequentemente afetado pela hipertrofia. Sua função é criar turbulência no fluxo do ar, aumentando o contato com a mucosa nasal para aquecimento, umidificação e filtragem.
4 Principais Causas da Hipertrofia de Cornetos
1. Rinite Alérgica
A rinite alérgica é a causa mais comum de hipertrofia de cornetos. A exposição repetida a alérgenos como poeira, ácaros, pelos de animais e fungos provoca inflamação crônica da mucosa nasal, levando ao aumento persistente dos cornetos. Muitos pacientes com rinite alérgica apresentam hipertrofia de cornetos como consequência direta da inflamação.
2. Rinite Vasomotora (Não Alérgica)
A rinite vasomotora é causada pela disfunção dos vasos sanguíneos da mucosa nasal em resposta a estímulos não alérgicos, como mudanças de temperatura, odores fortes, fumaça, stress emocional e variações de pressão atmosférica. O congestionamento nasal resultante pode levar à hipertrofia dos cornetos ao longo do tempo.
3. Desvio de Septo Nasal
O desvio de septo nasal pode provocar obstrução em uma das fossas nasais, levando ao aumento compensatório do corneto do lado contralateral. Nesse caso, o corneto do lado mais “aberto” cresce para compensar o fluxo excessivo de ar, um fenômeno chamado hipertrofia compensatória.
4. Uso Crônico de Descongestionantes Nasais
O uso prolongado de sprays nasais vasoconstritores (como a oximetazolina) pode causar um efeito rebote chamado rinite medicamentosa, em que a mucosa nasal fica cada vez mais congestionada após o efeito do medicamento. Com o tempo, essa inflamação crônica pode levar à hipertrofia real dos cornetos.
Sintomas da Hipertrofia de Cornetos
- Obstrução nasal: dificuldade para respirar pelo nariz, que pode ser constante ou alternada entre os lados
- Ronco e apneia do sono: a obstrução nasal noturna favorece o ronco e pode contribuir para a apneia
- Rinorreia: coriza excessiva e constante
- Respiração oral: especialmente durante o sono, o que resseca a boca e a garganta
- Cefaleia e pressão facial: decorrentes da obstrução nasal prolongada
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo otorrinolaringologista por meio de rinoscopia anterior e, preferencialmente, nasofibroscopia (endoscopia nasal), que permite visualizar diretamente os cornetos e avaliar o grau de hipertrofia. A tomografia computadorizada dos seios paranasais pode ser solicitada para avaliar a anatomia nasal completa e identificar desvios de septo ou outras alterações associadas.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, a investigação de rinite alérgica com testes cutâneos ou exames de IgE específica também é importante para identificar e tratar a causa subjacente.
Tratamento da Hipertrofia de Cornetos
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da gravidade e da resposta ao tratamento medicamentoso:
Tratamento Clínico
- Corticosteroides nasais tópicos (sprays): primeira linha de tratamento, reduzem a inflamação da mucosa
- Anti-histamínicos: em casos de rinite alérgica associada
- Lavagem nasal com solução salina: auxilia na higiene e na desobstrução nasal
- Imunoterapia: em casos de alergia identificada, pode reduzir a inflamação a longo prazo
Tratamento Cirúrgico
Quando o tratamento clínico não é suficiente, pode ser indicada a turbinoplastia (ou turbinectomia parcial), procedimento cirúrgico que reduz o volume dos cornetos nasais. Atualmente, técnicas minimamente invasivas como a radiofrequência e o microdesbridador oferecem excelentes resultados com menor sangramento e tempo de recuperação. A cirurgia frequentemente é realizada em conjunto com a septoplastia quando há desvio de septo associado.