Epiglotite: O Que É, 4 Sintomas de Alerta e Tratamento de Emergência

Entenda o que é epiglotite, por que ela é uma emergência médica grave, quais são os 4 sinais de alerta que exigem atendimento imediato e como é feito o tratamento.
Epiglotite: O Que É, 4 Sintomas de Alerta e Tratamento de Emergência

A epiglotite é uma inflamação grave da epiglote — estrutura cartilaginosa localizada na base da língua que protege a entrada da laringe durante a deglutição. Trata-se de uma emergência médica potencialmente fatal, pois o edema da epiglote pode obstruir completamente as vias aéreas, impedindo a respiração. Embora mais prevalente em crianças antes da vacina para Haemophilus influenzae tipo b, atualmente essa condição é mais frequente em adultos.

O Que é a Epiglotite?

A epiglotite é a inflamação aguda e potencialmente obstrutiva da epiglote e das estruturas supraglóticas adjacentes. A epiglote tem função vital: ela se dobra sobre a laringe durante a deglutição para evitar que alimentos e líquidos entrem nas vias aéreas. Quando inflamada e edemaciada, pode colapsar e bloquear a traqueia, causando asfixia. Esse risco torna a condição uma das emergências mais temidas em medicina e otorrinolaringologia.

Causas da Epiglotite

A principal causa desta inflamação é infecciosa. O agente mais importante historicamente era o Haemophilus influenzae tipo b (Hib), mas com a vacinação universal, outros agentes passaram a predominar em adultos, como Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus (incluindo MRSA) e vírus como Herpes simplex. Causas não infecciosas incluem trauma por corpo estranho, ingestão de substâncias cáusticas ou quentes, e radioterapia cervical.

4 Sintomas de Alerta da Epiglotite

  1. Dor de garganta intensa e súbita: A odinofagia (dor ao engolir) é geralmente desproporcional aos achados visíveis na faringe, muito mais intensa do que em uma faringite comum, frequentemente impedindo a deglutição de saliva.
  2. Dificuldade respiratória progressiva: O estreitamento das vias aéreas pelo edema causa dificuldade para respirar, que pode se manifestar como estridor inspiratório (som agudo durante a inspiração), uso de musculatura acessória e tiragem.
  3. Voz abafada ou “em batata quente”: A inflamação supraglótica altera a ressonância vocal, produzindo uma voz caracteristicamente abafada, como se o paciente estivesse com um objeto quente na boca.
  4. Posição em tripé e sialorreia: O paciente frequentemente assume posição sentada inclinada para frente com apoio nas mãos (posição de tripé) para facilitar a respiração, e apresenta salivação excessiva por não conseguir engolir a própria saliva.

Como a Epiglotite é Diagnosticada

O diagnóstico é principalmente clínico. A laringoscopia direta ou por fibroscopia pode confirmar o achado ao visualizar a epiglote edemaciada e eritematosa, com aspecto de “dedo de luva” ou “polegar”. No entanto, qualquer manipulação da orofaringe deve ser feita com extremo cuidado, pois pode desencadear laringoespasmo e obstrução total das vias aéreas. O raio-X lateral de pescoço pode mostrar o sinal do “polegar” (espessamento da epiglote), mas não deve atrasar o manejo das vias aéreas. Segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a epiglotite exige avaliação urgente por especialista.

Tratamento de Emergência

O tratamento é uma emergência médica que prioriza a segurança das vias aéreas. Em casos graves de epiglotite, pode ser necessária intubação orotraqueal ou traqueostomia de urgência para garantir a ventilação. O tratamento medicamentoso inclui antibióticos intravenosos de amplo espectro e corticosteroides para reduzir o edema. A monitorização contínua em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é essencial durante a fase aguda, especialmente nas primeiras 24 a 48 horas.

Diagnóstico Diferencial

É importante diferenciar a epiglotite de outras condições que causam obstrução das vias aéreas superiores, como crupe viral (laringotraqueobronquite), abscesso periamigdaliano, abscesso retrofaríngeo e angioedema. A distinção clínica é fundamental para o manejo correto. O crupe, por exemplo, causa estridor mais pronunciado e tosse metálica, enquanto a inflamação epiglótica causa mais disfagia e ausência de tosse típica.

Prevenção da Epiglotite

A principal medida preventiva é a vacinação contra o Haemophilus influenzae tipo b, incluída no calendário vacinal brasileiro desde 1999. Graças a essa vacina, a incidência em crianças caiu drasticamente. Em adultos, manter o calendário vacinal atualizado é fundamental. Pessoas imunocomprometidas têm risco aumentado e devem ser acompanhadas com atenção redobrada.

Conclusão

A epiglotite é uma emergência médica que pode ser fatal se não tratada prontamente. Dor de garganta intensa e desproporcional, dificuldade respiratória progressiva e voz abafada são sinais que exigem atendimento imediato. O otorrinolaringologista é o especialista habilitado para o diagnóstico e manejo dessa condição grave. Não espere — em caso de suspeita, vá diretamente a uma emergência hospitalar ou entre em contato com nossa clínica.

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