Faringite: Diferença entre Viral e Bacteriana e Como Tratar Corretamente

A faringite pode ser viral ou bacteriana, e cada tipo exige um tratamento diferente. Entenda como o otorrinolaringologista diferencia as formas, quando antibióticos são necessários e como evitar complicações graves.

O Que é Faringite?

A faringite bacteriana e a faringite viral são as duas formas mais comuns de inflamação da faringe, a região localizada na parte posterior da garganta que conecta a boca e o nariz ao esôfago e à laringe. A faringite é uma das condições mais frequentes na prática clínica do otorrinolaringologista e pode afetar pessoas de todas as idades, com maior prevalência em crianças e adultos jovens.

A principal distinção a ser feita é se a faringite é de origem viral ou bacteriana, pois o tratamento é completamente diferente. O diagnóstico correto pelo especialista é fundamental para evitar o uso desnecessário de antibióticos e prevenir complicações potencialmente graves, como a febre reumática.

Faringite Viral: A Mais Comum

Cerca de 70 a 80% das faringites são causadas por vírus, principalmente rinovírus, adenovírus, vírus Epstein-Barr (causador da mononucleose infecciosa), vírus da gripe e o coronavírus. A faringite viral geralmente se apresenta com dor de garganta moderada, rinorreia (coriza), tosse, rouquidão, conjuntivite e febrícula. O início dos sintomas é gradual e frequentemente está associado a outros sintomas de resfriado comum ou síndrome gripal.

O tratamento da faringite viral é sintomático, sem necessidade de antibióticos. Inclui repouso, boa hidratação, analgésicos e antitérmicos para controle da dor e febre, além de gargarejos com água morna e sal. A maioria dos casos resolve espontaneamente em 5 a 7 dias.

Faringite Bacteriana: Quando os Antibióticos são Necessários

A principal causa bacteriana é o Streptococcus pyogenes (Streptococo do grupo A), responsável pela chamada “faringite estreptocócica”. Essa forma é mais comum em crianças entre 5 e 15 anos e se manifesta com dor de garganta intensa de início súbito, febre alta (acima de 38,5°C), dificuldade para engolir, exsudato (pus) nas amígdalas, petéquias no palato, ausência de tosse e inchaço dos gânglios linfáticos do pescoço.

O diagnóstico pode ser confirmado pelo teste rápido de antígeno (Strep test) realizado no consultório ou pela cultura de secreção de garganta. O tratamento com antibióticos é fundamental para aliviar os sintomas, reduzir o período de transmissão e, principalmente, prevenir complicações graves.

Complicações da Faringite não Tratada

A faringite bacteriana não tratada ou tratada inadequadamente pode levar a complicações sérias. A mais temida é a febre reumática, que pode causar danos permanentes ao coração. Outras complicações incluem abscesso periamigdaliano (coleção de pus ao redor da amígdala), otite média, sinusite e glomerulonefrite (inflamação renal). Por isso, é fundamental que a faringite bacteriana seja identificada e tratada corretamente por um especialista.

Tratamento Correto da Faringite

Para a faringite viral, o tratamento é de suporte: repouso, hidratação, analgésicos como paracetamol ou ibuprofeno, pastilhas ou sprays para a garganta e gargarejos com soluções salinas. Não se deve usar antibióticos para tratar faringite viral, pois isso não traz benefícios e contribui para a resistência bacteriana, um problema grave de saúde pública.

Para a faringite bacteriana estreptocócica, a penicilina é o antibiótico de primeira escolha, geralmente por 10 dias. Em pacientes alérgicos à penicilina, podem ser utilizados macrolídeos como a azitromicina. É fundamental completar o ciclo de antibióticos, mesmo que os sintomas melhorem antes do prazo, para garantir a eliminação completa das bactérias e prevenir complicações.

Faringite Recorrente: Quando Operar?

Quando a faringite ocorre com frequência elevada (mais de 6 a 7 episódios por ano em crianças, ou mais de 5 por ano em adultos), o otorrinolaringologista pode avaliar a indicação de amigdalectomia (retirada das amígdalas). Essa cirurgia é eficaz na redução da frequência das infecções e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente. A decisão é individualizada, levando em conta a frequência dos episódios, a gravidade, o impacto na vida diária e as condições gerais de saúde do paciente. Consulte um especialista em otorrinolaringologia para avaliação completa. Saiba mais sobre o tratamento de infecções de garganta nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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